Aprendizado e descoberta 5min de Leitura - 09 de julho de 2024

Ameaças internas: um desafio subestimado na Segurança Cibernética

ameaças internas: pessoas trabalhando em escritório

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No campo da segurança cibernética, muito se fala sobre as ameaças externas, como malwares, phishing, ataques DDoS etc, usados para tentar romper mecanismos de defesa corporativos e causar danos aos negócios. No entanto, as ameaças internas – aquelas que vêm de dentro da própria organização – podem ser igualmente devastadoras.

Neste artigo, exploraremos o que são ameaças internas, quais os principais tipos e como identificá-las, além de dicas para mitigá-las. Continue a leitura.

O que são ameaças internas?

As ameaças internas são representadas por qualquer risco à segurança de uma organização, que se origina de dentro dela, abrangendo um espectro amplo de ações maliciosas, ou negligentes, cometidas por indivíduos que possuem acesso legítimo aos sistemas e dados da empresa.

Essas ameaças podem estar associadas a funcionários atuais, ex-funcionários, parceiros de negócios e até mesmo terceiros com acesso privilegiado. As ameaças internas são particularmente perigosas porque os autores têm conhecimento prévio sobre as operações internas, políticas de segurança e vulnerabilidades da organização, tornando mais difícil a detecção e mitigação.

As ameaças internas podem ser divididas em duas categorias principais:

1. Ameaças intencionais: Essas ameaças são resultantes de ações premeditadas por parte dos indivíduos com o objetivo de causar dano à organização. Tais como: roubo de dados, sabotagem, espionagem corporativa e fraude.

2. Ameaças acidentais: Essas ameaças são causadas por erros ou negligência dos indivíduos que têm acesso aos sistemas e dados da organização. Como, por exemplo: erros humanos, negligência, falhas de configuração e uso indevido de recursos.

Características das ameaças internas

As ameaças internas possuem características distintas que as tornam especialmente perigosas para qualquer organização. Uma das principais é o acesso privilegiado aos sistemas e dados da empresa. Por serem indivíduos autorizados, como funcionários atuais ou parceiros de negócios, eles podem navegar livremente pelas redes corporativas sem levantar suspeitas imediatas. Esse acesso legítimo aos recursos da organização oferece uma posição vantajosa para a execução de atividades maliciosas ou negligentes, pois suas ações podem ser consideradas normais dentro do contexto operacional.

Além disso, no caso de agentes internos, pode existir um conhecimento profundo das operações e das vulnerabilidades da empresa. Esse entendimento detalhado das políticas de segurança, procedimentos e infraestrutura tecnológica permite que identifiquem e explorem falhas de maneira eficaz.

A familiaridade com os processos internos facilita a ocultação de atividades suspeitas e a manipulação dos sistemas sem desencadear alertas de segurança evidentes. Essa intimidade com o ambiente corporativo dá aos colaboradores internos uma capacidade única de planejar e executar ataques que podem causar danos significativos.

Tais características combinadas – acesso privilegiado, conhecimento interno e dificuldade de detecção – criam um cenário onde as ameaças internas podem operar com alta eficiência e baixo risco de serem descobertas rapidamente.

Identificando ameaças internas

A identificação desse tipo de ameaça pode ser desafiadora, pois muitas vezes os responsáveis têm acesso legítimo aos sistemas e dados da organização. No entanto, existem sinais e comportamentos que podem indicar uma potencial ameaça interna:

Acesso incomum: Funcionários acessando dados ou sistemas que não são necessários para suas funções;

Atividades em horários incomuns: Logins fora do horário de expediente ou acessos em momentos inesperados;

Transferências de dados:
Movimentação anormal de grandes volumes de dados, especialmente para dispositivos externos ou nuvens pessoais;

Comportamento descontente:
Funcionários que expressam insatisfação com a empresa, colegas ou superiores;

Erros repetidos: Funcionários que repetidamente cometem erros que poderiam ser evitados com treinamento adequado;

Solicitações de acesso adicional: Pedidos frequentes e injustificados de acesso a informações ou sistemas adicionais.

Mitigação

Mitigar ameaças internas requer uma abordagem abrangente que combine políticas de segurança robustas, tecnologias avançadas e uma cultura organizacional voltada para a cibersegurança. Essa abordagem múltipla é essencial para abordar as várias facetas desse tipo de ameaça, garantindo que todos os ângulos possíveis de ataque sejam cobertos.

Primeiramente, a implementação de políticas e procedimentos de segurança é fundamental. Adotar o princípio do menor privilégio é uma prática muito importante, pois garante que os funcionários tenham apenas o acesso necessário para realizar suas funções. Isso limita a exposição a dados e sistemas sensíveis. É igualmente importante realizar revisões regulares de permissões de acesso para identificar e corrigir quaisquer excessos. Uma política de desligamento rigorosa deve estar em vigor para revogar imediatamente os acessos de ex-funcionários, evitando qualquer possibilidade de abuso de privilégios.

O monitoramento contínuo é outra camada essencial na mitigação de ameaças internas. Ferramentas de monitoramento de atividades do usuário são indispensáveis para detectar comportamentos suspeitos em tempo real, permitindo uma resposta rápida a potenciais ameaças. Além disso, auditorias regulares dos logs de acesso e uso de dados são necessárias para identificar padrões anômalos que possam indicar atividades maliciosas. A implementação de soluções de análise comportamental também é importante, pois essas ferramentas podem detectar mudanças sutis no comportamento dos usuários que poderiam passar despercebidas, oferecendo uma camada adicional de segurança.

O treinamento e a conscientização dos funcionários são componentes essenciais para a criação de uma cultura de segurança. Programas de treinamento regulares sobre segurança cibernética devem ser realizados, enfatizando a importância de práticas seguras no ambiente de trabalho. Colaboradores vigilantes auxiliam na identificação mais rápida de ações maliciosas de outros colaboradores ou terceiros que possuem intenção de causar danos a estrutura da empresa.

Testes e simulações, como exercícios de phishing, ajudam a educar os funcionários sobre os perigos das técnicas de engenharia social, tornando-os mais vigilantes contra esses tipos de ataques. Promover uma cultura de segurança onde todos se sintam responsáveis pela proteção dos dados e recursos da empresa é fundamental para a defesa contra ameaças internas.

Tecnologias de proteção também desempenham um papel fundamental. Soluções de prevenção de perda de dados (DLP) são essenciais para monitorar e proteger informações sensíveis contra vazamentos. O uso de software de proteção de endpoint ajuda a detectar e bloquear atividades suspeitas em dispositivos dos usuários, fornecendo uma camada adicional de defesa. Além disso, sistemas de gestão de identidade e acesso (IAM) garantem que as identidades digitais sejam gerenciadas de forma segura e que os acessos sejam apropriados e devidamente controlados.

Por fim, a resposta a incidentes é uma área crítica na mitigação de ameaças internas. Ter um plano claro e bem definido para responder rapidamente a ameaças internas é fundamental para minimizar os danos para o negócio. Neste ponto, é importante destacar as particularidades associadas a incidentes motivados por colaboradores, sejam eles, intencionais ou acidentais. Todo o contexto de tratamento e comunicação, deste tipo de incidente, deve ser adaptado, para que as intervenções sejam assertivas e ágeis.

Vale ressaltar a necessidade de cláusulas contratuais claras, no momento da contratação da força de trabalho, para que, desde o primeiro contato com a organização, o colaborador tenha ciência das consequências associadas à incidentes deste tipo.

A mitigação eficaz requer uma abordagem integrada que combine políticas, monitoramento, treinamento, tecnologias e uma resposta rápida e coordenada.

Importância de gerenciar ameaças internas

A gestão eficaz das ameaças internas é importante para a segurança cibernética de qualquer organização. Essas ameaças não só podem resultar em perdas financeiras e danos à reputação, mas também em sansões legais, caso haja o comprometimento de dados pessoais.

Entender a natureza e a gravidade das ameaças internas é o primeiro passo para desenvolver uma abordagem proativa na proteção dos ativos da organização.

GCV

A proteção contra ameaças internas não é uma tarefa simples, mas com as medidas adequadas, é possível criar um ambiente seguro e resiliente contra essas ameaças.

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