CVE 7min de Leitura - 31 de agosto de 2026

ServiceNow corrige três vulnerabilidades críticas com CVSS 10,0 na AI Platform

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A ServiceNow corrigiu três vulnerabilidades críticas identificadas na ServiceNow AI Platform, todas classificadas com CVSS de 10.0, a pontuação máxima do sistema de avaliação. As falhas, identificadas como CVE-2026-18885, CVE-2026-18886 e CVE-2026-74820, podem permitir, em determinadas circunstâncias, que um usuário não autenticado execute código, altere dados da instância, eleve privilégios ou execute comandos SQL arbitrários no banco de dados subjacente.

O alerta foi divulgado pela ServiceNow em 27 de agosto de 2026. Segundo a empresa, as correções já foram aplicadas às instâncias hospedadas pela própria ServiceNow e disponibilizadas para parceiros e clientes que mantêm ambientes com hospedagem própria. Até o momento da divulgação, a companhia informou não ter conhecimento de exploração maliciosa dessas vulnerabilidades contra instâncias ServiceNow.

Apesar da ausência de exploração conhecida, a combinação de ausência de autenticação, baixa complexidade de ataque, ausência de interação do usuário e impacto elevado sobre confidencialidade, integridade e disponibilidade torna as vulnerabilidades prioritárias para organizações que utilizam a plataforma.

O que é a ServiceNow?

A ServiceNow é uma empresa de tecnologia voltada à gestão e automação de fluxos de trabalho corporativos. Sua plataforma é utilizada por organizações para estruturar processos relacionados a tecnologia da informação, atendimento, recursos humanos, relacionamento com clientes e outras áreas do negócio.

Nos últimos anos, a empresa ampliou significativamente os recursos de inteligência artificial oferecidos dentro de sua plataforma. A ServiceNow AI Platform reúne IA, dados e workflows em uma arquitetura integrada, permitindo que organizações utilizem recursos de inteligência artificial para automatizar processos, analisar informações e executar ações diretamente nos fluxos de trabalho corporativos.

Entre os recursos disponibilizados estão os AI Agents, agentes capazes de executar tarefas de maneira autônoma, o Now Assist, voltado à utilização de IA generativa em diferentes processos, o AI Agent Studio, ferramentas de governança e recursos para integração de dados e workflows.

A arquitetura é especialmente relevante para a análise dessas vulnerabilidades porque a plataforma não atua apenas como uma interface de consulta. Seus recursos de IA podem acessar dados corporativos, utilizar ferramentas, interagir com workflows e executar ações em nome dos usuários.

Por esse motivo, uma vulnerabilidade capaz de ultrapassar os mecanismos de autenticação ou controle de acesso pode representar um risco significativo para os dados e processos conectados à plataforma.

Três vulnerabilidades com pontuação máxima no CVSS

As três vulnerabilidades foram classificadas com CVSS 4.0 de 10,0, indicando severidade crítica.

O vetor utilizado para as três falhas é: CVSS:4.0/AV/AC/AT/PR/UI/VC/VI/VA/SC/SI/SA

Na prática, isso significa que os ataques podem ocorrer pela rede, apresentam baixa complexidade, não exigem condições adicionais, não requerem privilégios prévios nem interação do usuário. Além disso, os impactos potenciais são elevados tanto sobre o componente vulnerável quanto sobre sistemas subsequentes.

Essa combinação explica por que as três vulnerabilidades atingiram a pontuação máxima. Não se trata apenas de falhas que poderiam expor informações. Em cenários de exploração bem-sucedida, um atacante pode comprometer a confidencialidade, a integridade e a disponibilidade dos dados e recursos associados à instância.

CVE-2026-18885: injeção de código e execução remota

A CVE-2026-18885 é uma vulnerabilidade de injeção de código identificada na ServiceNow AI Platform. A falha está associada à GraphQL Composite Data API e pode permitir que um usuário não autenticado, em determinadas circunstâncias, execute código arbitrário dentro da plataforma.

O problema é classificado como CWE-94, categoria relacionada à geração ou utilização inadequada de código controlado por entradas que podem ser manipuladas por um atacante.

Em um cenário de exploração, a execução de código poderia permitir que o invasor obtivesse acesso a dados da instância ou modificasse informações além dos limites originalmente previstos. O risco é particularmente elevado porque a vulnerabilidade não exige autenticação ou interação do usuário e apresenta baixa complexidade de exploração.

A falha recebeu CVSS 4.0 de 10,0, com impacto alto sobre confidencialidade, integridade e disponibilidade. A própria estrutura do vetor indica que o problema pode atingir não apenas o componente diretamente vulnerável, mas também sistemas subsequentes conectados ao ambiente.

De acordo com os registros de vulnerabilidade disponíveis, a CVE-2026-18885 afeta versões anteriores às respectivas correções nas linhas Xanadu, Yokohama, Zurich e Australia. Entre os limites de correção estão Xanadu Patch 11 Hot Fix 7a, Yokohama Patch 12 Hot Fix 3b, Yokohama Patch 13 Hot Fix 4, Zurich Patch 7b Hot Fix 3, Zurich Patch 8 Hot Fix 5, Zurich Patch 9 Hot Fix 6, Zurich Patch 10 Hot Fix 2m ou Hot Fix 3, Zurich Patch 11 e Patch 12, além das respectivas correções para Australia.

CVE-2026-18886: falha de controle de acesso e escalonamento de privilégios

A CVE-2026-18886 está relacionada a uma falha de controle de acesso inadequado na ServiceNow AI Platform. Nesse caso, o problema está associado ao processador de upload de imagens de configuração do sistema.

A vulnerabilidade permite, em determinadas circunstâncias, que um usuário não autenticado crie ou modifique dados da instância além do que deveria ser permitido. Como consequência, a exploração pode resultar em escalonamento de privilégios.

A falha é classificada como CWE-284, categoria que abrange situações em que o produto não restringe adequadamente o acesso a um recurso por parte de um ator não autorizado. Registros de vulnerabilidade também associam o problema à CWE-862, relacionada à ausência de autorização.

O impacto potencial é elevado porque um atacante não precisa necessariamente possuir uma conta legítima na plataforma para iniciar a exploração. Com a possibilidade de criar ou modificar dados e elevar privilégios, uma exploração bem-sucedida pode ampliar significativamente o controle sobre a instância.

Assim como a CVE-2026-18885, a CVE-2026-18886 recebeu CVSS 4.0 de 10,0. O vetor indica ataque pela rede, baixa complexidade, ausência de privilégios necessários e nenhuma interação do usuário, com impactos altos sobre confidencialidade, integridade e disponibilidade.

As versões afetadas seguem o mesmo conjunto de linhas de lançamento divulgado para as demais vulnerabilidades, com correções a partir dos respectivos patches e hotfixes das versões Xanadu, Yokohama, Zurich e Australia.

CVE-2026-74820: injeção de SQL

A terceira vulnerabilidade crítica é a CVE-2026-74820, uma falha de SQL Injection identificada na ServiceNow AI Platform.

O problema está associado a uma cláusula dinâmica de ordenação utilizada pela plataforma e pode permitir que um usuário não autenticado, em determinadas circunstâncias, execute instruções SQL arbitrárias contra o banco de dados subjacente da instância.

A vulnerabilidade é classificada como CWE-89, categoria que corresponde à neutralização inadequada de elementos especiais utilizados em comandos SQL, permitindo que entradas manipuladas sejam interpretadas como parte da instrução executada pelo banco de dados.

A possibilidade de execução de comandos SQL arbitrários representa um risco significativo porque o banco de dados concentra informações utilizadas pelos processos executados na plataforma. Dependendo dos privilégios disponíveis para a operação vulnerável, uma exploração pode permitir acesso ou alteração de dados além do que deveria estar disponível ao atacante.

A CVE-2026-74820 também recebeu CVSS 4.0 de 10,0, com ataque pela rede, baixa complexidade, ausência de privilégios e nenhuma interação do usuário. O impacto foi classificado como alto nos três pilares tradicionais de segurança, além de impactos elevados em sistemas subsequentes.

A vulnerabilidade afeta versões anteriores às correções correspondentes nas linhas Xanadu, Yokohama, Zurich e Australia. Entre os níveis corrigidos estão Xanadu Patch 11 Hot Fix 7a, Yokohama Patch 12 Hot Fix 3b, Yokohama Patch 13 Hot Fix 4, Zurich Patch 7b Hot Fix 3, Zurich Patch 8 Hot Fix 5, Zurich Patch 9 Hot Fix 6, Zurich Patch 10 Hot Fix 2m ou Hot Fix 3, Zurich Patch 11 e Patch 12, além das correções disponibilizadas para Australia Patch 2, Patch 3 e Patch 4 e Patch 5.

Por que as três vulnerabilidades exigem atenção?

Embora tenham naturezas técnicas diferentes, as três vulnerabilidades apresentam uma característica particularmente preocupante: podem ser exploradas sem autenticação em determinadas circunstâncias.

Na CVE-2026-18885, o risco está na possibilidade de execução arbitrária de código. Na CVE-2026-18886, o problema envolve controles de acesso e escalonamento de privilégios. Na CVE-2026-74820, o vetor está relacionado à execução de comandos SQL arbitrários no banco de dados.

Assim, diferentes caminhos de exploração podem levar a um resultado semelhante: ultrapassar as barreiras de segurança estabelecidas para a instância e acessar ou modificar informações que deveriam permanecer protegidas.

Esse cenário ganha importância quando analisado dentro de uma plataforma que centraliza dados corporativos e workflows. A ServiceNow descreve sua AI Platform como uma camada operacional que integra dados, inteligência artificial e processos, enquanto seus agentes de IA podem analisar informações, recuperar dados de sistemas corporativos e executar ações automatizadas.

Isso significa que o impacto de uma vulnerabilidade na plataforma pode ultrapassar o componente diretamente afetado e alcançar processos, dados e integrações conectados ao ambiente.

Quais versões da ServiceNow estão afetadas?

As três vulnerabilidades possuem uma abrangência semelhante entre as versões da ServiceNow AI Platform. Os registros publicados apontam como afetadas versões anteriores às correções específicas das famílias Xanadu, Yokohama, Zurich e Australia.

Para a CVE-2026-18885 e a CVE-2026-74820, por exemplo, estão indicadas como referências de correção Xanadu Patch 11 Hot Fix 7a, Yokohama Patch 12 Hot Fix 3b, Yokohama Patch 13 Hot Fix 4, Zurich Patch 7b Hot Fix 3, Zurich Patch 8 Hot Fix 5, Zurich Patch 9 Hot Fix 6, Zurich Patch 10 Hot Fix 2m ou Hot Fix 3, Zurich Patch 11 e Patch 12, além dos patches correspondentes da linha Australia.

Para a CVE-2026-18886, os registros apresentam o mesmo conjunto principal de versões corrigidas, incluindo Xanadu Patch 11 Hot Fix 7a, Yokohama Patch 12 Hot Fix 3b, Yokohama Patch 13 Hot Fix 4 e as respectivas versões corrigidas das linhas Zurich e Australia.

Como a aplicação das correções depende da versão e do modelo de implantação utilizado pela organização, a verificação deve ser realizada diretamente no ambiente e comparada com o comunicado oficial da ServiceNow. Organizações que utilizam instâncias hospedadas pela própria ServiceNow tiveram as atualizações aplicadas pelo fornecedor, enquanto clientes com ambientes próprios ou determinadas estruturas de hospedagem precisam confirmar a instalação dos patches correspondentes.

Existe exploração ativa?

Até a publicação do alerta, a ServiceNow informou que não tinha conhecimento de exploração maliciosa das três vulnerabilidades contra instâncias da empresa. Informações de enriquecimento de vulnerabilidade também indicavam, naquele momento, ausência de exploração conhecida, embora a avaliação tenha classificado o impacto técnico como total e a exploração como potencialmente automatizável.

A ausência de exploração conhecida, entretanto, não reduz a necessidade de correção. Vulnerabilidades com CVSS 10,0, sem necessidade de autenticação e com baixo nível de complexidade podem se tornar alvos prioritários após a divulgação pública, especialmente quando envolvem plataformas corporativas amplamente integradas.

Por isso, o intervalo entre a divulgação de uma vulnerabilidade crítica e a aplicação da correção deve ser tratado como uma janela de exposição que precisa ser reduzida ao mínimo possível.

O que as empresas devem fazer?

Organizações que utilizam a ServiceNow devem verificar imediatamente quais versões da plataforma estão em execução e confirmar se os patches ou hotfixes correspondentes às três vulnerabilidades foram aplicados.

Também é importante avaliar o modelo de hospedagem utilizado. Em ambientes hospedados pela própria ServiceNow, o fornecedor informou ter implementado as atualizações de segurança. Já ambientes próprios e estruturas administradas por clientes ou parceiros exigem uma validação específica da aplicação das correções.

Além da atualização, equipes de segurança devem considerar a análise dos registros de acesso e atividade da plataforma para identificar comportamentos anômalos, principalmente em ambientes que apresentem exposição externa. Essa avaliação é especialmente relevante porque as três vulnerabilidades podem ser acionadas sem autenticação em determinadas circunstâncias.

O monitoramento também deve considerar os ativos e integrações conectados à ServiceNow. Como a AI Platform pode interagir com dados, workflows, ferramentas e agentes de IA, um eventual comprometimento da instância pode produzir efeitos que vão além da própria plataforma.

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