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WhatsApp Pay começa a ganhar vida no Brasil

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Após meses de entraves, sistema de pagamento do WhatsApp Pay recebe autorização do Banco Central – e pode reduzir custos para os usuários.

Tão presente nas conversas diárias de milhões de brasileiros, o WhatsApp também vai fazer parte da vida financeira de seus usuários. O motivo é que o Banco Central do Brasil acaba de dar luz verde aos pagamentos via WhatsApp, após meses de discussões sobre como introduzir o serviço sem prejudicar a concorrência do mercado local.

A autorização se estende a duas modalidades de pagamento, baseadas nos modelos de depósito e pré-pago intermediados por Visa e Mastercard, além de um acordo de pagamento e início de transações pelo Facebook.

Segundo o Banco Central, a novidade pode abrir novas perspectivas de redução de custos em serviços de pagamento. No entanto, a instituição observou que as autorizações não contemplam os pedidos de Visa e Mastercard para a operacionalização de arranjos de compra vinculados ao programa Facebook Pay, algo ainda em análise.

Fim da novela

A questão toda começou ainda no ano passado, e só agora ganhou celeridade. Em junho de 2020, o Facebook lançou o WhatsApp Pay e planejou uma implementação gradual – que permitiria aos usuários e pequenas empresas enviar ou receber dinheiro no Brasil, até 20 vezes por dia.

Porém, poucos dias depois, entraram em ação o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), um órgão componente do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC).

Ambos ordenaram a suspensão das transações financeiras via WhatsApp por causa de preocupações com as ameaças que o aplicativo poderia representar ao sistema nacional de pagamentos.

Na época, estava sendo preparando o lançamento do sistema de pagamentos instantâneos PIX, demandando assim análises mais profundas.

Mudança de hábito

De acordo com uma pesquisa da multinacional Kantar com a Mastercard sobre transformações relacionadas aos hábitos de pagamento, 75% dos entrevistados afirmaram que gostariam de poder pagar em tempo real, independentemente do provedor de serviços financeiros que usam. Os resultados mostram também que 53% gostariam de pagar via aplicativos de mensagens ou plataformas de mídia social.

E o Brasil é terreno fértil para sistemas do tipo. O país está entre as nações pioneiras na adoção de tecnologias no setor financeiro, segundo um estudo divulgado em fevereiro pela Accenture. O documento afirma que os brasileiros estão mais abertos a novas formas de administrar seu dinheiro, principalmente no que tange a tecnologia.

Prova disso é que os usuários de mobile banking brasileiros verificam suas contas 23 vezes em média por mês. Esse número pode chegar a 40, no caso dos usuários conhecidos como “heavy users”, que realizam mais de 80% das transações digitalmente. Os dados são do relatório anual desenvolvido pela Deloitte, publicado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em junho do ano passado.

Informações como essas levam a crer que era mesmo questão de tempo até o WhatsApp Pay ser aprovado. Até porque os smartphones são maioria inclusive nas compras virtuais. No Brasil, a maioria delas foi feita em celulares desde o início da pandemia. Tal dado veio de um estudo da consultoria Ebit / Nielsen em parceria com a fintech brasileira Bexs. Das 194 milhões de compras analisadas em 2020, 55,1% foram feitas por meio de smartphones, segundo os resultados.

Nesse contexto, o e-commerce do Brasil teve um crescimento de 41% no ano passado, gerando o equivalente a US$ 15 bilhões. Ou seja, é uma realidade que praticamente obriga milhares de empresas a adaptarem seus sites de venda aos sistemas de celular.

Já estando adaptado ou não, a prioridade é segurança, pois serão raros os consumidores que se sentirão confortáveis em comprar através de um meio repleto de incertezas. Aliás, uma certeza muitos consumidores já têm: poderão em breve pagar via WhatsApp.

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