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Como lidar com a segurança digital das crianças e adolescentes

Criança em frente a notebook, segurando mouse

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Pais devem tomar medidas para proteger os jovens contra riscos cibernéticos, que crescem conforme surgem novas plataformas de redes sociais e games.

É inegável a relevância das evoluções em sistemas de segurança digital, que trazem grandes benefícios para empresas de todos os tamanhos e setores. Mas o que está sendo feito para proteger as crianças e adolescentes?

Foi esse um dos questionamentos feitos durante um webinar organizado pela multinacional Menlo Security, onde foram apresentadas ideias de Nina Bual, cofundadora e diretora da Cyberlite Books – editora de livros infantis focada em internet e outros temas da atualidade. Ela também é uma das fundadoras da BluePhish, empresa especializada em treinamentos de segurança digital.

Mike East, vice-presidente da Menlo, deu início aos trabalhos perguntando “Quem está cuidando de nossos filhos na internet? Quem está olhando por cima de seus ombros para ter certeza de que estão seguros?”

Assim, o executivo mostrou uma pesquisa do Twitter com pais conduzida pela Menlo, que mostrou que as redes sociais eram as plataformas menos confiáveis em relação ao uso da internet por seus filhos. A principal preocupação era que as crianças e adolescentes conhecessem um estranho online e marcassem encontros presenciais. Apesar disso, 63% admitiram que não impuseram restrições ao uso da Internet.

Esse número fica ainda mais grave quando se analisa a quantidade de tempo que as crianças passam em recursos não educacionais na internet. Antes da pandemia, aqueles que tinham de 7 a 13 anos ficavam 44 minutos por dia em média em plataformas do tipo. Entretanto, os jovens de 13 a 17 anos passavam 7 horas e 22 minutos em média. Nesse contexto, a grande maioria fica exposta a situações de cyberbullying, automutilação, suicídio e conduta sexual inapropriada. “É preocupante que isso esteja ocorrendo regularmente em aplicativos conhecidos, como WhatsApp, Instagram e Pinterest”, disse Nina Bual.

Pais substituídos

Na visão dela, uma questão crucial é que as tecnologias de Inteligência Artificial (IA) estão, na prática, assumindo o papel de pais quando os filhos estão online. “A IA está direcionando o material para os jovens e decidindo o que eles vão realmente olhar”, explica.

A profissional deu então o exemplo do YouTube, sistema pelo qual os pais permitem que seus filhos assistam a programas como Peppa Pig. Ela observou que as crianças muito novas tendem a clicar em sugestões de vídeo geradas pela IA, o que pode levar a conteúdo impróprio. “Neste ponto eu não sou mais a mãe, pois o YouTube assumiu o controle dos pais, e foram os seus algoritmos que decidiram o que meu filho deve ver”.

Para as crianças mais velhas, a situação é ainda mais intrigante. Nina deu outro exemplo: “Coloque-se no lugar de uma menina de 15 anos que está preocupada com o peso. Ela começa a pesquisar alimentação saudável no Google. A IA então vai começar a viajar nessa direção, e se seguir certos conteúdos pode acabar em sites pró-anorexia. Esses sites têm seguidores em aplicativos como o TikTok, por exemplo, com alto poder de propagação”.

Ela também descreveu os riscos em sites de jogos. Nesses locais, os criminosos podem ter várias motivações, desde a exploração sexual até a doutrinação para determinadas ideias. Em um caso no popular jogo online Fortnite, uma criança fez amizade com alguém que pensava ter a mesma idade. Na realidade, era um adulto, cujo objetivo era extrair informações sobre o pai da criança, que era diretor de uma grande empresa. O golpista conseguiu diversas senhas e acabou gerando um prejuízo enorme à companhia.

Ações possíveis

Nina acredita que uma combinação de tecnologias de educação e proteção é necessária para ajudar a manter as crianças protegidas desses vários perigos. Os pais precisam conhecer ferramentas que possam enviar notificações quando seus filhos estiverem se envolvendo em um comportamento online potencialmente danoso. Isso inclui o SafeToNet, um teclado inteligente que pode ser incorporado ao telefone da criança. A ferramenta usa a IA para corrigir um comportamento suspeito no momento em que ele acontece, filtrando mensagens de conteúdo tóxico, por exemplo, ajudando assim a combater o cyberbullying. Outra opção é o Qustodio, no qual os pais podem monitorar e gerenciar o uso do dispositivo de seus filhos.

Apesar de apresentar resultados promissores, essas ferramentas não devem atuar sozinhas. São, essencialmente, apoios à educação dada pelos pais aos filhos.

Por exemplo, em relação ao reconhecimento de notícias falsas, as populares Fake News – que podem levar as crianças a terem pontos de vista fanáticos – Nina disse ser vital que os jovens desenvolvam habilidades de pensamento crítico. Uma técnica que ela aconselhou os pais a usarem é mostrar dois jornais que têm visões políticas opostas e comparar a maneira como uma mesma notícia foi mostrada por cada um, levantando questionamentos como “por que você acha que os fatos foram relatados de forma diferente, com linguagem trazida de forma diferente” e “como você analisa e verifica o que é falso, e como você valida isso”.

Essa proximidade de pais e filhos dentro do mundo virtual é fundamental para a segurança dos mais jovens. Por mais que se crie sistemas de defesa cibernética, o fator humano sempre estará lá. E, se no contexto corporativo as inter-relações humanas já são tão essenciais na proteção, no âmbito familiar tudo acontece com ainda mais intensidade. Afinal, de um lado estão aqueles que em breve farão parte da força de trabalho do país, e o ideal é que já cheguem com um comportamento mais zeloso no que se refere à segurança digital – com benefícios no presente e no futuro.

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