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A CVE-2026-25881 descreve uma vulnerabilidade crítica identificada na biblioteca JavaScript @nyariv/sandboxjs, que permite a fuga do ambiente sandbox por meio de poluição de protótipos do host. Classificada com pontuação CVSS 9.1, a falha possibilita que códigos executados dentro do sandbox modifiquem protótipos globais nativos, comprometendo a integridade da aplicação hospedeira e abrindo caminho para cenários de execução remota de código (RCE).
Esse tipo de vulnerabilidade representa um risco relevante para aplicações que utilizam mecanismos de isolamento para executar scripts potencialmente não confiáveis, especialmente em ambientes web, plataformas SaaS e ferramentas de automação baseadas em JavaScript.
O papel do SandboxJS e o conceito de isolamento em JavaScript
O SandboxJS é uma biblioteca projetada para permitir a execução controlada de código JavaScript dentro de um ambiente isolado. Esse tipo de abordagem é comum em aplicações que precisam processar scripts externos, plugins, expressões dinâmicas ou automações criadas por usuários. O objetivo principal é impedir que o código executado dentro do sandbox tenha acesso direto ao contexto global da aplicação hospedeira, evitando alterações indevidas ou exposição de dados sensíveis.
Diferentemente de mecanismos de isolamento baseados em virtualização ou separação de processos, muitos sandboxes em JavaScript operam em nível lógico, utilizando camadas de abstração para bloquear referências perigosas. Isso torna a proteção dependente da correta implementação dessas barreiras, o que aumenta a complexidade e abre espaço para falhas sutis, como a observada nesta vulnerabilidade.
Como funciona a CVE-2026-25881
Antes da versão 0.8.31, o SandboxJS utilizava uma flag interna chamada isGlobal para identificar objetos pertencentes ao contexto global do host e impedir sua manipulação dentro do sandbox. Em teoria, essa abordagem deveria impedir que protótipos nativos fossem alterados por scripts isolados.
Pesquisadores identificaram, no entanto, que o uso de literais de array intermediários criava um comportamento inesperado. Quando uma referência a um protótipo global (como Map.prototype ou Set.prototype) era inserida em um array e posteriormente recuperada, a flag de proteção deixava de existir. Esse detalhe permitia que o objeto fosse tratado como uma referência comum, removendo a proteção originalmente aplicada.
Com isso, o código executado dentro do sandbox passava a ter capacidade de modificar diretamente protótipos globais do ambiente hospedeiro, caracterizando uma fuga do sandbox. A falha demonstra como pequenas inconsistências no controle de referências podem comprometer completamente o modelo de isolamento.
Poluição de protótipo e seus impactos
A vulnerabilidade está associada à fraqueza catalogada como CWE-1321 — Improperly Controlled Modification of Object Prototype Attributes, conhecida como poluição de protótipo. Esse tipo de ataque explora a natureza prototipada do JavaScript, permitindo que propriedades adicionadas a um protótipo sejam herdadas por múltiplos objetos ao longo da aplicação.
Quando um atacante consegue modificar protótipos globais, o impacto tende a ser abrangente e persistente. Funções e objetos que dependem desses protótipos passam a apresentar comportamentos alterados, o que pode ser explorado para manipular fluxos de execução, inserir dados maliciosos ou acionar funcionalidades críticas de forma indevida.
No contexto da CVE-2026-25881, a poluição pode ser usada para criar cadeias de exploração que culminam em execução de comandos, especialmente quando propriedades contaminadas são utilizadas em sinks sensíveis, como chamadas que executam comandos do sistema.
Gravidade e avaliação CVSS
A classificação CVSS 9.1 reflete o alto impacto potencial da vulnerabilidade. O fato de permitir escape de sandbox é especialmente relevante, pois quebra o princípio central de segurança da biblioteca. Uma vez comprometido o isolamento, scripts que deveriam estar restritos passam a interagir diretamente com elementos do host, aumentando significativamente a superfície de ataque.
Outro fator importante é que a exploração pode não ser imediatamente perceptível. Alterações em protótipos globais podem persistir ao longo da execução da aplicação, criando efeitos colaterais difíceis de rastrear e aumentando o risco de exploração indireta.
Versões afetadas e correção
A vulnerabilidade afeta versões do pacote @nyariv/sandboxjs anteriores à versão 0.8.31. A correção implementada pelos mantenedores introduziu melhorias no controle de referências e no tratamento das proteções aplicadas aos objetos globais, impedindo que a flag de proteção fosse removida durante operações intermediárias.
A atualização para a versão corrigida é considerada a principal medida de mitigação. Como a biblioteca pode estar presente como dependência indireta em projetos Node.js, recomenda-se uma análise cuidadosa da cadeia de dependências para identificar possíveis exposições.
Lições de segurança para o ecossistema JavaScript
A CVE-2026-25881 reforça um debate recorrente na segurança de aplicações JavaScript: sandboxes baseados exclusivamente em lógica interna não oferecem o mesmo nível de isolamento que mecanismos estruturais mais robustos. Embora sejam amplamente utilizados pela flexibilidade e facilidade de implementação, esses ambientes exigem revisões constantes para evitar bypasses.
O caso também evidencia a persistência da poluição de protótipo como vetor de ataque relevante. Mesmo sendo uma classe de vulnerabilidade conhecida há anos, sua exploração continua surgindo em novas formas devido à complexidade do modelo de herança da linguagem.
Para equipes técnicas, o episódio destaca a importância de acompanhar advisories de segurança, atualizar dependências com frequência e realizar testes específicos voltados a cenários de escape de sandbox, especialmente em aplicações que executam código fornecido por terceiros.
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