This post is also available in: Português
A CVE-2025-15399 afeta componentes do IBM Common Licensing utilizados na administração e geração de relatórios do IBM License Key Server. A vulnerabilidade é classificada como Cross-Site Request Forgery (CSRF) e pode permitir que um invasor faça com que ações maliciosas e não autorizadas sejam executadas utilizando a sessão de um usuário confiável da aplicação.
A falha está presente no IBM Common Licensing Agent e no Administration and Reporting Tool (ART) nas versões 9.0, 9.0.0.1 e 9.0.0.2. Segundo o boletim de segurança da IBM, a vulnerabilidade possui atualmente CVSS 4.3, com impacto relacionado à integridade da aplicação e necessidade de interação do usuário. A IBM recomenda a atualização para o IBM Common Licensing 9.1.
O que é o IBM Common Licensing?
O IBM Common Licensing é utilizado para administrar e gerenciar licenças de produtos de software da IBM. Dentro desse ecossistema estão componentes voltados à administração do ambiente de licenciamento e à geração de informações e relatórios relacionados às licenças.
A vulnerabilidade abordada neste conteúdo está relacionada especificamente ao IBM License Key Server Administration and Reporting Tool, conhecido como ART, e ao IBM LKS Administration Agent. Esses componentes fazem parte do IBM Common Licensing e podem operar em ambientes Windows, Linux e AIX.
Por exercerem funções administrativas, os componentes de gerenciamento de licenças devem ser mantidos atualizados e protegidos contra vulnerabilidades que possam permitir a execução de ações sem a intenção do usuário.
O que é a CVE-2025-15399?
A CVE-2025-15399 corresponde a uma vulnerabilidade de Cross-Site Request Forgery, ou falsificação de solicitação entre sites, identificada no IBM Common Licensing.
De acordo com a IBM, um atacante pode explorar a falha para induzir um usuário confiável a transmitir solicitações maliciosas e não autorizadas para a aplicação. Em um cenário de CSRF, o atacante normalmente procura fazer com que o navegador da vítima envie uma requisição para uma aplicação na qual ela já possui uma sessão válida.
O navegador pode incluir automaticamente informações associadas à sessão da aplicação, fazendo com que o servidor interprete a solicitação como legítima. Dessa forma, uma ação que não foi intencionalmente iniciada pelo usuário pode ser processada utilizando suas permissões.
A vulnerabilidade foi classificada pela IBM como CWE-352, categoria destinada a vulnerabilidades de Cross-Site Request Forgery. O MITRE descreve o CWE-352 como uma fraqueza na qual uma aplicação pode aceitar uma solicitação originada de outro contexto como se tivesse sido iniciada legitimamente pelo usuário.
Como funciona uma vulnerabilidade CSRF?
O funcionamento de uma vulnerabilidade de CSRF está relacionado principalmente à confiança que uma aplicação deposita nas requisições realizadas pelo navegador de um usuário autenticado.
Em um cenário hipotético, um usuário pode estar autenticado em uma interface administrativa do IBM Common Licensing. Enquanto essa sessão permanece ativa, o usuário acessa uma página ou conteúdo controlado por um atacante. Essa página pode tentar induzir o navegador a realizar uma requisição para a aplicação vulnerável.
Caso a aplicação não valide adequadamente se aquela solicitação foi realmente iniciada pelo usuário dentro do contexto esperado, o servidor pode processá-la utilizando a sessão existente.
O problema, portanto, não depende necessariamente do atacante conhecer a senha do usuário ou obter diretamente suas credenciais. A exploração busca abusar da sessão já estabelecida entre o navegador e a aplicação.
No caso da CVE-2025-15399, a IBM descreve justamente a possibilidade de execução de ações maliciosas e não autorizadas transmitidas por um usuário em quem o site confia.
Produtos e versões afetados
A IBM identifica seis versões do IBM Common Licensing afetadas pela CVE-2025-15399. São elas:
Os componentes afetados são o Agent e o Administration and Reporting Tool (ART) do IBM Common Licensing. A IBM informa suporte desses componentes nas plataformas Windows, Linux e AIX.
É importante observar que a existência de uma versão listada como afetada não significa que todos os ambientes apresentem exatamente o mesmo nível de exposição. O risco efetivo depende de fatores como configuração, exposição da interface, usuários autorizados e contexto de utilização.
Qual é o impacto da CVE-2025-15399?
O principal impacto da vulnerabilidade está relacionado à integridade das ações realizadas na aplicação.
Um atacante pode tentar induzir um usuário a executar uma operação que ele não pretendia realizar. Como a requisição pode ser processada dentro de uma sessão confiável, determinadas ações podem ser interpretadas pela aplicação como legítimas.
Isso torna especialmente relevante a proteção das interfaces administrativas. Um usuário com privilégios elevados pode ter capacidade de executar operações com consequências maiores do que aquelas disponíveis para uma conta com permissões restritas.
A descrição oficial da IBM não indica impacto direto sobre a confidencialidade ou a disponibilidade do sistema. No vetor CVSS publicado pela empresa, o impacto de confidencialidade é classificado como inexistente, o impacto de integridade como baixo e o impacto de disponibilidade como inexistente.
CVSS da CVE-2025-15399
Existe uma divergência relevante entre diferentes bases de vulnerabilidades em relação à pontuação da CVE-2025-15399.
No boletim oficial publicado pela IBM em setembro de 2026, a vulnerabilidade recebeu CVSS 4.3, utilizando o seguinte vetor: CVSS:3.1/AV:N/AC:L/PR:N/UI:R/S:U/C:N/I:L/A:N
Esse vetor indica que a vulnerabilidade pode ser explorada remotamente pela rede, apresenta baixa complexidade de ataque e não exige privilégios prévios do atacante. Entretanto, a exploração requer interação do usuário. A IBM também classifica o impacto sobre a integridade como baixo, sem impacto sobre confidencialidade e disponibilidade.
Algumas bases de terceiros ainda apresentam 10.0 para a CVE-2025-15399. O Rapid7, por exemplo, atualmente exibe CVSS 3.1 de 10,0, enquanto reproduz a descrição da vulnerabilidade.
Por outro lado, registros recentes que acompanham o boletim da IBM apresentam a pontuação 4.3 como a classificação atual associada ao vetor publicado pela fabricante.
Para fins de gestão de vulnerabilidades, essa diferença deve ser considerada durante a priorização. A referência oficial da IBM deve ser consultada para confirmar a avaliação do fabricante e as orientações de correção aplicáveis ao ambiente.
Remediação e atualização
A IBM recomenda que os usuários afetados atualizem o ambiente para o IBM Common Licensing 9.1, disponibilizado por meio do Passport Advantage. O boletim de segurança informa que não há workaround ou mitigação alternativa indicada pela fabricante para a vulnerabilidade.
A atualização deve fazer parte do processo de gerenciamento de vulnerabilidades da organização, especialmente em ambientes nos quais as interfaces de administração do IBM Common Licensing estejam acessíveis por redes não confiáveis ou sejam utilizadas por contas com privilégios administrativos.
Antes da atualização, é recomendável avaliar a compatibilidade da nova versão com os produtos IBM que dependem do ambiente de licenciamento, além de seguir os procedimentos oficiais disponibilizados pela fabricante.
Por que vulnerabilidades CSRF merecem atenção?
Vulnerabilidades de CSRF podem ser subestimadas porque não necessariamente envolvem o roubo direto de credenciais. O ataque explora uma relação de confiança existente entre o navegador do usuário e uma aplicação na qual ele já está autenticado.
Esse comportamento ganha relevância em interfaces administrativas porque uma requisição não intencional pode resultar na execução de uma operação utilizando as permissões daquele usuário.
A proteção contra CSRF normalmente envolve mecanismos capazes de verificar se uma solicitação foi efetivamente originada dentro do contexto esperado pela aplicação. Dependendo da arquitetura e da tecnologia utilizada, controles como tokens anti-CSRF, validação de origem e políticas adequadas para cookies podem contribuir para reduzir esse tipo de risco.
No caso da CVE-2025-15399, entretanto, a recomendação oficial da IBM é realizar a atualização para uma versão corrigida, não sendo indicada uma configuração alternativa como substituta do patch.
O que as empresas devem verificar?
Organizações que utilizam IBM Common Licensing devem inicialmente identificar se possuem o Agent 9.0, 9.0.0.1 ou 9.0.0.2, ou o ART 9.0, 9.0.0.1 ou 9.0.0.2 instalados.
A partir dessa identificação, é importante avaliar quais servidores hospedam os componentes, como as interfaces administrativas estão expostas, quais usuários possuem acesso e se existem controles de rede restringindo o acesso às interfaces de gerenciamento.
Também é importante verificar se existem outras vulnerabilidades associadas ao mesmo produto. O boletim publicado pela IBM em setembro de 2026 reúne outras vulnerabilidades que afetam o IBM Common Licensing, incluindo falhas de Cross-Site Scripting e exposição de informações sensíveis.
Dessa forma, a correção da CVE-2025-15399 deve ser tratada dentro de uma análise mais ampla do estado de segurança do ambiente, evitando que a atualização de uma única vulnerabilidade seja considerada suficiente para eliminar todos os riscos associados ao componente.
This post is also available in: Português



